Clube do Livro em São Luís recebe Jeferson Tenório para discutir “O Avesso da Pele”

Em meio à rotina acelerada que muitas vezes afasta o hábito da leitura, iniciativas que criam espaços de encontro e reflexão coletiva têm ganhado força em São Luís. É nesse contexto que o Clube do Livro conduzido pelo professor Wesley Sousa, do Instituto Federal do Maranhão, realiza mais uma edição no dia 7 de maio de 2026 (quinta-feira), às 19h30, na Cia Cazumba de Teatro e Dança, no Centro Histórico da capital.

Com um ano de existência, o projeto vem se consolidando como um espaço de formação de leitores e de diálogo, reunindo participantes interessados na troca de experiências e na construção de pensamento crítico a partir da literatura. A força do clube está justamente nesse encontro entre leitores, onde a leitura ganha dimensão coletiva.

A professora Albenya Duarte é uma dessas participantes. Para ela, o clube tem sido uma forma de manter o vínculo com a leitura mesmo diante da rotina. “É uma iniciativa excelente, porque fomenta esse hábito tão importante que é a leitura. Muitas vezes não leio como gostaria, então o clube cria esse momento de dedicação, interação e aprendizado”, relata.

É nesse ambiente de troca que o clube recebe, nesta edição, o escritor, professor e pesquisador brasileiro Jeferson Tenório, autor de O Avesso da Pele, obra vencedora do Prêmio Jabuti e escolhida para o encontro.

Sobre a participação, o autor destaca a expectativa de estar em São Luís. “Tenho muita vontade de conhecer de perto o público e as experiências de leitura daqui. São esses encontros que fazem a literatura circular e ganhar novos significados”, afirma.

A escolha de O Avesso da Pele dialoga diretamente com esse propósito. Ambientado em Porto Alegre, nos anos 1980, o romance acompanha Pedro, que investiga o passado do pai, um professor assassinado durante uma abordagem policial. A narrativa atravessa temas como racismo, identidade, violência e memória, propondo uma reflexão sensível sobre a experiência negra no Brasil.

Esse debate ganha ainda mais força quando observado a partir da realidade local. No Maranhão, 79% da população se autodeclara preta ou parda, cerca de 5,4 milhões de pessoas, segundo Boletim Social sobre o perfil da população negra do Imesc.

Para Wesley Sousa, idealizador do clube, é justamente nesse cruzamento entre literatura e realidade que o projeto encontra seu sentido. “A ideia é construir um espaço de formação e diálogo, onde as pessoas possam se reconhecer nas obras e, ao mesmo tempo, refletir sobre a realidade à sua volta. A literatura tem esse papel de provocar e ampliar visões”, explica.

A edição reforça o papel do clube como uma iniciativa que aproxima leitores e autores, ampliando o acesso à literatura e incentivando o debate em torno de temas contemporâneos.

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